{"id":3367,"date":"2016-11-21T17:22:45","date_gmt":"2016-11-21T17:22:45","guid":{"rendered":"http:\/\/toposatelier.com\/?page_id=3367"},"modified":"2016-11-22T10:18:48","modified_gmt":"2016-11-22T10:18:48","slug":"eduardo-souto-moura","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/toposatelier.com\/en\/eduardo-souto-moura\/","title":{"rendered":"EDUARDO SOUTO MOURA"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\">SOBRE A ARQUITECTURA DE JEAN PIERRE PORCHER E SEU ATELIER<\/h4>\n<p style=\"text-align: center;\">&#8220;un praticien rend toujours un philosophe nerveux\u201d<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">EDUARDO SOUTO de MOURA<\/h4>\n<p style=\"text-align: center;\">(extracto introdu\u00e7\u00e3o monografia: \u201cJean Pierre Porcher, Margarida Oliveira e Albino Freitas\u201d)<\/p>\n<div class=\"twocolumn\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Se compararmos a Pir\u00e2mide de Giz\u00e9 com a Pir\u00e2mide do Louvre, constatamos que, em milhares de anos, a forma manteve-se, para servir uma nova fun\u00e7\u00e3o. Se observarmos os cortes dos edif\u00edcios, o que mudou foi a massa de constru\u00e7\u00e3o. O s\u00f3lido repleto de mat\u00e9ria libertou-se e ficou reduzido a uma silhueta com poucos cent\u00edmetros de espessura. A arquitectura, ao longo dos tempos, tem feito um esfor\u00e7o para se desmaterializar, perdendo peso para elevar-se, contrariando a gravidade (1). A Gr\u00e9cia torneou a m\u00e1rmore a coluna Eg\u00edpcia e os Romanos retirando-lhe o interior, revestiram-na com o mesmo material. O Rom\u00e2nico acomodou-se \u00e0 Bas\u00edlica, a estrutura G\u00f3tica, com os arcobotantes, eliminou paredes e fechou os v\u00e3os com vidro \u2013 Luz+Luz+Luz at\u00e9 chegar a Deus. Os Neo-Cl\u00e1ssicos foram sobrepondo Ordens em altura e abrindo v\u00e3os at\u00e9 \u00e0 cornija. As colunas, essas passaram a ser em estuque. O bet\u00e3o e o ferro permitiram aos Arquitectos pensar da mesma maneira, mas com uma vantagem, a de poderem separar a estrutura das paredes, codificando-as como aut\u00f3nomas. Corbusier inventou a estrutura \u201cDomin\u00f3\u201d, e soltou as plantas e as fachadas do sistema construtivo. O construir com a estrutura independente deixou de ser um manifesto do Movimento Moderno e passou a ser o \u201cmodus operandi\u201d do mercado da constru\u00e7\u00e3o. Por isso \u00e9 que o \u201cP\u00f3s-Modernismo\u201d durou pouco, a parede resistente era demasiado cara. Limitou-se n\u00e3o a mudar a linguagem construtiva, mas a fazer colagens com o que gostava da Hist\u00f3ria \u2013 Venturi e Rossi s\u00e3o geniais. N\u00e3o conseguindo ter um nome, redimiu-se a ser \u201cP\u00f3s\u201d de outra coisa, o Modernismo. A \u201cm\u00e1quina de habitar\u201d regressou, levando ao limite as engrenagens e os espa\u00e7os residuais. O pluralismo, com os meios t\u00e9cnicos dispon\u00edveis, passou a ser a regra. A ambiguidade instalou-se, e a madeira, a pedra e o ferro passaram a ser \u201cfitas\u201d deles pr\u00f3prios. Por vezes com o desgaste da m\u00e1quina \u00e9 preciso mudar de \u201cfita\u201d, e pode-se, nas recupera\u00e7\u00f5es, por uma quest\u00e3o de \u201cgosto\u201d escolher outro tema e mudar de vers\u00e3o. As capas dos edif\u00edcios v\u00e3o mudando de rosto, e o rosto n\u00e3o \u00e9 o que \u00e9, mas sim o simulacro do pr\u00f3prio, em que a maquilhagem faz milagres. Hoje trabalhamos com estruturas independentes, escolhemos aut\u00f3nomamente o material para as fechar, decidimos as \u201cpeles\u201d que queremos conforme o frio e a chuva, ou ent\u00e3o a nosso gosto. Com t\u00e3o pouca espessura e tanto liberalismo, as regras foram apertando. Fixaram-se limites econ\u00f3micos, f\u00edsicos, de energia, de seguran\u00e7a contra sismos, inc\u00eandios, \u00e1reas m\u00ednimas, regulamentos internacionais, nacionais e posturas municipais. A arquitectura hoje disp\u00f5e de uma paleta de plasticismos quase infinita. A \u201ctela\u201d em branco, pode receber quase tudo, depende \u00e9 da nossa vontade pessoal e do bom senso dos outros para que possa existir.<br \/>\nA arquitectura do Jean Pierre Porcher e dos seus s\u00f3cios, parte desta actualidade, em que tudo \u00e9 soma das partes aut\u00f3nomas, pacientemente separadas em elementos que existem por si. \u00c9 o \u201cDasein\u201d de Heidegger. \u00c9 a estrat\u00e9gia de quem n\u00e3o a tem, e sabe que n\u00e3o pode e n\u00e3o deve t\u00ea-la. Uma \u201caxiologia\u201d confort\u00e1vel e inoperante na resposta di\u00e1ria. \u00c9 o ir tacteando os s\u00edtios, as partes para chegar ao todo, sabendo que n\u00e3o h\u00e1 todo. Os planos de arquitectura em Jean Pierre existem para fechar os abertos e informar pictoricamente o colectivo de quem vive l\u00e1 dentro ou de quem passa por fora. As suas telas castanhas e negras aproximam-se dos port\u00f5es de corten que rodam em pivots, envolvidos por vidros foscos, alum\u00ednios polidos, ou pedras texturadas. O resultado, \u00e9 uma m\u00e1quina de emo\u00e7\u00f5es pict\u00f3ricas, onde os materiais convivem e se disp\u00f5em num jogo abstracto e neopl\u00e1stico, reduzidos apenas \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria e s\u00f3 mat\u00e9ria, sem narrativa. Apenas se afirma a sua exist\u00eancia na topografia, e aguardam pelo\u201dgestaltismo\u201d de algu\u00e9m que os possa reunir. Mas na \u201crecherche\u201d de Jean Pierre e dos seus s\u00f3cios, o contr\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 verdade. A continuidade da pele pode ser total, mesmo for\u00e7ando a naturalidade das coisas: uma janela transparente, ou um estore em alum\u00ednio, ou uma porta de garagem em chapa galvanizada. Tudo \u00e9 pintado \u00e0 dist\u00e2ncia com um \u201cspray\u201d em que os perfis de alum\u00ednio s\u00e3o dirigidos a todas as partes do edif\u00edcio, condensando-o num s\u00f3 objecto. O resultado da arquitectura de Jean Pierre \u00e9 a inquieta\u00e7\u00e3o que nos provoca (a nossa situa\u00e7\u00e3o de arquitectos), ao sabermos que os fragmentos est\u00e3o unidos artificialmente e que noutras situa\u00e7\u00f5es \u00e9 o contr\u00e1rio: o elemento em si \u00e9 \u201cfatiado\u201d com juntas, para poder mudar ou receber outros materiais. A arquitectura e a pintura de Jean Pierre, visualizam um mundo intenso que vive em todas as direc\u00e7\u00f5es, com todos os excessos, da\u00ed a emerg\u00eancia do minimalismo por cansa\u00e7o e esgotamento. A arquitectura de Jean Pierre visualiza a condi\u00e7\u00e3o da disciplina hoje, de Nova Iorque a Braga, de Basileia a Ponte de Lima. N\u00e3o, n\u00e3o estamos inibidos, n\u00e3o \u00e9 de lamenta\u00e7\u00e3o que se trata. Resta-nos a raiva para poder desenhar o \u201cPoema Cont\u00ednuo\u201d: \u201cPode ser que tudo esteja bem no plural de um mundo intenso\u201d (2).<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"small\">(1) \u201cPara a Hist\u00f3ria do Futuro: Um texto de 1991\u201d, Arq\u00ba . Fernando T\u00e1vora<br \/>\n(2) Herberto Helder<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SOBRE A ARQUITECTURA DE JEAN PIERRE PORCHER E SEU ATELIER &#8220;un praticien rend toujours un philosophe nerveux\u201d EDUARDO SOUTO de MOURA (extracto introdu\u00e7\u00e3o monografia: \u201cJean Pierre Porcher, Margarida Oliveira e Albino Freitas\u201d) Se compararmos a Pir\u00e2mide de Giz\u00e9 com a Pir\u00e2mide do Louvre, constatamos que, em milhares de anos, a forma manteve-se, para servir uma..<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/toposatelier.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3367"}],"collection":[{"href":"https:\/\/toposatelier.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/toposatelier.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/toposatelier.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/toposatelier.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3367"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/toposatelier.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3367\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3424,"href":"https:\/\/toposatelier.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3367\/revisions\/3424"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/toposatelier.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}